Pensar a qualidade da Educação Infantil significa, entre muitas ações, abrir espaço para a escuta. No CEI Maria Izabel, que integra o Programa Primeira Infância da Fundação Julita, famílias, profissionais e comunidade são convidados a olhar juntos para o cotidiano da unidade, refletir sobre as práticas educativas e construir propostas de melhoria.
Esse processo acontece por meio dos Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana, um instrumento desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo para apoiar as unidades educacionais na realização de uma autoavaliação institucional participativa.
A proposta parte de uma ideia fundamental: a qualidade da Educação Infantil não é definida por uma única perspectiva. Ela envolve os ambientes, as relações, as práticas pedagógicas, o cuidado, o desenvolvimento das crianças e as condições oferecidas para que elas possam aprender e conviver. Por isso, a avaliação precisa considerar os diferentes olhares de quem participa da vida escolar.
Famílias também constroem a qualidade da educação
No CEI Maria Izabel, a participação das famílias é uma parte importante desse processo. Durante os encontros, responsáveis são convidados a compartilhar suas percepções sobre os espaços, o atendimento, as práticas pedagógicas e a rotina das crianças.
Para Patricia Freitas, coordenadora pedagógica do Programa Primeira Infância, esse momento amplia a compreensão sobre o trabalho desenvolvido no CEI.
“A participação dos responsáveis é muito importante, pois, por meio de seus olhares e percepções, eles nos apresentam como enxergam a escola, tanto em relação ao espaço físico quanto ao trabalho pedagógico desenvolvido na unidade.”
A participação também contribui para aproximar as famílias dos documentos e das legislações que orientam a Educação Infantil. Com isso, o encontro se transforma em um espaço de diálogo e formação, em que os responsáveis podem compreender melhor o papel do Centro de Educação Infantil e participar de forma mais ativa das discussões sobre a educação das crianças.
Para Geovana Santos, mãe de um educando do Programa Primeira Infância, estar presente nesses momentos ajuda a acompanhar o trabalho realizado pela equipe e a contribuir com novas ideias.
“Acho muito importante, porque a gente consegue acompanhar como está sendo o cuidado e os assuntos pedagógicos abordados em sala com os nossos filhos, além de poder dar sugestões e ajudar a melhorar o ambiente escolar.”
Segundo ela, essa aproximação também fortalece a relação entre a escola e as famílias e contribui para o desenvolvimento das crianças, tanto na aprendizagem quanto na convivência e no respeito às diferenças. 
O processo dos Indicadores de Qualidade acontece em dois momentos coletivos. O primeiro é dedicado à autoavaliação, quando profissionais, famílias e comunidade analisam diferentes aspectos da unidade e identificam pontos positivos e aqueles que precisam ser aprimorados.
Depois, acontece a elaboração de um plano de ação, que organiza as propostas a partir das questões identificadas durante a avaliação. Algumas mudanças podem ser realizadas diretamente pela unidade, enquanto outras dependem de outras instâncias da administração municipal, das entidades mantenedoras ou de outros órgãos.
No CEI Maria Izabel, esse processo já contribuiu para mudanças percebidas no cotidiano das crianças.
Entre os avanços estão a aquisição de novos brinquedos a partir das sugestões da comunidade escolar e das famílias; melhorias na área externa, como a instalação de toldo, manutenção do deck de madeira e intervenções no parque de areia; a criação do corredor literário; a instalação de um portão de limite entre o parque e a saída; além da aquisição de novos mobiliários, como nichos e mesas para as refeições.
Também foram realizadas mudanças pensadas a partir das necessidades específicas das crianças, como a instalação de escadas para facilitar o acesso aos banheiros durante os momentos de troca e a utilização de caixas organizadoras transparentes, permitindo que as crianças visualizem os brinquedos disponíveis e participem das escolhas.
Essas mudanças mostram como a escuta pode se transformar em ações concretas. Ao participar do processo, as famílias não apenas avaliam o trabalho desenvolvido: elas ajudam a identificar necessidades, propor caminhos e acompanhar a construção de soluções.

Uma educação construída em parceria
Na Fundação Julita, a participação das famílias faz parte de uma compreensão de Educação Infantil baseada no cuidado, na educação e no desenvolvimento integral das crianças. O processo dos Indicadores de Qualidade fortalece essa perspectiva ao criar um espaço estruturado para que diferentes pessoas envolvidas no cotidiano do CEI possam refletir juntas sobre o trabalho realizado.
Para Patricia, esse olhar coletivo é essencial para pensar a qualidade da educação. Afinal, os critérios que definem uma boa experiência educativa são atravessados pela cultura, pelo contexto social e histórico e pelos diferentes conhecimentos e expectativas presentes em uma comunidade.

No CEI Maria Izabel, essa construção acontece no diálogo entre quem educa, quem cuida, quem acompanha de perto a rotina escolar e, principalmente, quem participa diariamente da vida das crianças.
Assim, os Indicadores de Qualidade se tornam uma ferramenta para olhar para o presente, reconhecer conquistas e identificar caminhos para continuar aprimorando a Educação Infantil – com a participação de toda a comunidade escolar.
Da escuta à construção do Projeto Político-Pedagógico
O processo dos Indicadores de Qualidade também está diretamente relacionado ao Projeto Político-Pedagógico (PPP) do CEI Maria Izabel. O documento reúne princípios, objetivos, propostas e ações que orientam o trabalho desenvolvido pela unidade ao longo do ano.
O PPP é apresentado às famílias, que também participam de sua construção por meio dos espaços de diálogo e escuta promovidos pela unidade. A cada ano, o documento é atualizado considerando as reflexões, demandas e propostas que surgem durante o processo dos Indicadores de Qualidade.
Dessa forma, a participação das famílias contribui para que o planejamento pedagógico esteja conectado às necessidades e características da comunidade escolar, fortalecendo a construção coletiva do trabalho desenvolvido com as crianças.
Conheça o Projeto Politico Pedagógico do Programa Primeira Infância clicando aqui