Intervenções realizadas por jovens levam esporte e lazer para a comunidade
Como podemos transformar o conhecimento adquirido em oportunidades de aprendizagem para outras pessoas? Para os jovens do projeto Comunidade em Movimento, da Fundação Julita, uma das respostas está na construção e realização dos Projetos de Intervenção (PIs), iniciativas que conectam formação, metodologias do Esporte Educacional e participação comunitária.
Em 2026, os jovens beneficiários do projeto realizaram seis PIs em diferentes espaços do território do Jardim São Luís, promovendo atividades esportivas, recreativas, culturais e de convivência para públicos de diferentes idades. Ao todo, as ações contabilizaram 441 atendimentos, envolvendo crianças, adolescentes, pessoas idosas, jovens em cumprimento de medida socioeducativa e trabalhadores da Fundação Julita.
A proposta dos PIs é estimular o protagonismo juvenil e criar oportunidades para que os participantes compartilhem os conhecimentos desenvolvidos ao longo de sua formação, levando a cultura do movimento para espaços da periferia. Inclusão, cooperação, socialização e respeito às diferenças orientam as atividades, que também fortalecem os vínculos entre os jovens e a comunidade onde vivem.
Diferentes públicos e muitas possibilidades de aprendizagem
Os Projetos de Intervenção de 2026 foram planejados em duplas pelos jovens beneficiários, com o envolvimento de todo o grupo durante a execução. Cada iniciativa considerou as características e necessidades do público participante, explorando diferentes linguagens e possibilidades de aprendizagem por meio do corpo, do movimento, da cultura e do lazer.
Os PIs foram realizados em locais do território, como escolas, organizações sociais e espaços comunitários. Entre eles, no Centro de Educação Infantil (CEI) Princesa Thayná, o projeto “Pequenos Exploradores do Movimento: corpo que brinca, corpo que aprende” envolveu 32 crianças de 2 e 3 anos em brincadeiras que estimularam a coordenação motora, a criatividade, a atenção e a interação social.
Já no Centro para a Criança e o Adolescente (CCA) Ibirapuera, o projeto “Território e Pertencimento” reuniu 96 crianças e adolescentes em atividades de jogos, grafite, artes urbanas, colagem, penteados e outras formas de expressão. A proposta valorizou a cultura do território e incentivou a convivência, a criatividade e o respeito às diferenças.
A troca entre gerações foi o destaque do projeto “Resgatando Memórias”. Realizada com 63 pessoas idosas do Programa Terceira Idade da Fundação Julita, a iniciativa partiu de uma consulta sobre as brincadeiras vivenciadas por elas na infância. Amarelinha, pular corda, pião, peteca e contação de histórias criaram oportunidades para compartilhar memórias afetivas, movimentar o corpo e fortalecer vínculos entre jovens e pessoas idosas. Ao final, todos os participantes elogiaram a experiência.

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental M’Boi Mirim II, o projeto “Movimento Alternativo” proporcionou a 59 adolescentes novas experiências de lazer por meio de jogos, brincadeiras e práticas corporais, incluindo a amarelinha africana, desconhecida pelos estudantes participantes.
O quinto projeto aconteceu na Fundação Julita, com 44 adolescentes de 16 a 18 anos atendidos pelo serviço de Medidas Socioeducativas do Jardim São Luís. A proposta valorizou o esporte e o lazer como direitos fundamentais, promovendo gincanas, jogos e atividades coletivas que estimularam a cooperação e a convivência.
Encerrando o ciclo, o projeto “Adulto Brincante” reuniu 147 trabalhadores e trabalhadoras da Fundação Julita em uma programação com dança, esportes coletivos, autocuidado, ginástica funcional e Liang Gong. A iniciativa incentivou o bem-estar, a interação e a adoção de práticas saudáveis no cotidiano.
As experiências mostram como o Esporte Educacional pode assumir diferentes formas de atuação, respeitando as particularidades de cada público e criando espaços de participação, expressão e convivência.
Uma formação que começa na prática
Para realizar as intervenções, os jovens beneficiários do Comunidade em Movimento precisam transformar ideias em propostas concretas: identificar necessidades, planejar atividades, organizar materiais, mediar grupos e encontrar soluções diante dos imprevistos, como mudança de clima.

Essas experiências integram o percurso formativo do Comunidade em Movimento, projeto voltado à formação de 12 jovens egressos do programa Jovens Monitores em Esportes da Fundação Julita. Os jovens recebem bolsa-auxílio para contribuir com os custos de ingresso e permanência no ensino superior, especialmente nas áreas de Educação Física, Psicologia e Pedagogia.
Em contrapartida, cumprem uma jornada de 28 horas semanais, com mentorias, atividades de Educação Popular, acompanhamento socioemocional e formação em metodologias do Esporte Educacional. Também atuam em todos os programas da organização nos auxílios às atividades envolvendo práticas esportivas.
Fortalecimento da autonomia e senso crítico
Bruno Cunha, educador de referência do Comunidade em Movimento, explica que o acompanhamento considera as diferentes dimensões da vida de cada participante e busca fortalecer sua autonomia ao longo da formação.
“Para além de estabelecer metas, buscamos fortalecer a capacidade de tomar decisões e a compreensão crítica da realidade em que os jovens vivem, reconhecendo que cada trajetória é singular e atravessada por diferentes desafios e possibilidades.”
A mentoria semanal é parte desse processo. Nesses encontros, os jovens refletem sobre suas trajetórias pessoais, acadêmicas e pedagógicas, identificam desafios e constroem estratégias para desenvolver seus projetos de vida. Desta forma, a formação também se conecta à realidade do território. Ao planejar e executar as intervenções, os jovens ampliam seu repertório, reconhecem as demandas locais e experimentam, na prática, os conhecimentos desenvolvidos na Fundação Julita e na universidade.
Protagonismo juvenil também é construir junto
Para Julia Teles, uma das jovens participantes do projeto, o Comunidade em Movimento abriu caminhos para sua trajetória acadêmica e para uma compreensão mais ampla das questões sociais.
“O projeto abriu algumas portas, como fazer com que eu ingressasse na faculdade, fazer com que eu conhecesse a importância de pautas sociais, a importância da psicologia e de viver um passo de cada vez.”
Na realização dos Projetos de Intervenção, essa aprendizagem aparece também na relação com o público e na responsabilidade de conduzir atividades. Para Julia, mediar as ações é uma oportunidade de desenvolver confiança, sabendo que pode contar com o apoio dos outros jovens do grupo.

Ela reconhece que assumir a condução de uma proposta pode trazer inseguranças, especialmente diante da responsabilidade de se comunicar com clareza. Ao mesmo tempo, o trabalho coletivo torna esse processo mais leve e fortalece sua confiança para enfrentar novos desafios.
Essa dimensão é fundamental para a proposta do projeto: os jovens não ocupam apenas o lugar de quem recebe uma formação, mas também de quem compartilha conhecimentos, mobiliza pessoas e contribui para criar experiências educativas significativas para a comunidade.
Quando a formação abre caminhos para o futuro
Os Projetos de Intervenção fazem parte de um percurso que busca ampliar oportunidades para os jovens e fortalecer sua participação na sociedade. Ao longo da formação, eles desenvolvem competências importantes para a vida acadêmica e profissional, como planejamento, liderança, comunicação, organização, escuta e atuação coletiva.

Os resultados também podem se desdobrar em novas oportunidades de trabalho. Alguns desses jovens que passaram pelo Comunidade em Movimento já retornaram à Fundação Julita como educadores, tornando-se referências para outros jovens. A instituição também realiza indicações para oportunidades profissionais em espaços de educação e de atuação com públicos em situação de vulnerabilidade social.
É nesse movimento que a formação ganha continuidade: os conhecimentos adquiridos circulam, novas experiências são construídas e os jovens ampliam suas possibilidades de atuação no território.
O projeto Comunidade em Movimento conta com o apoio da Fundación Mapfre.