Recentemente, vivemos na Fundação Julita um momento daqueles que ajudam a entender, na prática, o sentido do trabalho que realizamos há décadas no Jardim São Luís. Um ciclo se encerra, outro começa, e entre esses dois momentos estão as histórias de Gui e Matheus.
Dois jovens que chegaram aqui ainda crianças. Dois jovens que sonharam com o futebol. Dois jovens que cresceram dentro dos mesmos projetos da Julita e que, hoje, ajudam a contar um pouco da nossa própria história.
A trajetória do Gui começou muito cedo. Ele chegou ao Programa Primeira Infância da Fundação Julita com apenas 8 meses de idade. Não foi o primeiro da família a passar por aqui, e também não foi o último.
Curioso e atento desde pequeno, permaneceu na Julita até os 4 anos de idade. Naquele período, as crianças ainda não tinham continuidade no atendimento após essa fase, algo bem diferente do que acontece hoje – desde 2012, contamos com o Projeto Ipezinho, que beneficia crianças de 4 e 5 anos com atividades socioeducativas voltadas ao desenvolvimento integral.
Aos 6 anos, quando passou a fazer parte do Programa Criança e Adolescente, Gui voltou para a Julita. E sem saber, estava iniciando uma caminhada que duraria mais de duas décadas.
Ao longo desses anos, participou de diversas atividades esportivas e culturais, dois campos onde sempre demonstrou talento. No futebol, se destacava com os pés. Na arte, encontrava nas palavras espaço para suas poesias.
Aos 15 anos, ingressou no projeto Jovens Monitores em Esporte, iniciativa da Fundação Julita que trabalha com jovens de 15 a 21 anos a partir do esporte educacional e da construção de projeto de vida. Foi nesse momento que, como ele mesmo costuma dizer, “a chavinha virou”. Ali, começou a enxergar que seu caminho poderia estar também na educação.
Depois, veio o Comunidade em Movimento – assista ao documentário sobre o projeto clicando aqui – que apoia jovens da Julita no ingresso e permanência na universidade. Foi assim que o sonho do diploma universitário começou a ganhar forma.
Gui seguiu caminhando com a gente. Sempre propositivo, engajado e presente. Até que, em 2021, viveu uma nova virada em sua história: passou de educando a educador.
Entrou para a equipe da Fundação Julita como educador do Centro de Educação pelo Esporte, onde desenvolveu atividades marcantes e inspirou muitos jovens que hoje percorrem caminhos parecidos com o que ele trilhou.
Foram 26 anos de história dentro da Julita.
No último dia 6 de março de 2026, Gui encerrou esse ciclo para seguir um novo sonho: atuar na formação de educadores em outra instituição. Uma nova jornada, mas que carrega muito do que foi construído aqui.
Como ele mesmo diz:
“A Julita nunca foi nosso teto. Sempre foi nossa base. A ela eu devo muito do que sou, da minha formação, da minha essência. Por onde eu for, sempre levarei o nome da Julita comigo.”
Veja o depoimento completo do Gui clicando aqui
Ver uma trajetória como essa se completar é entender, na prática, o papel transformador que organizações sociais podem ter na vida das pessoas.
Mas as histórias da Julita não terminam quando um ciclo se fecha. Muitas vezes, é exatamente nesse momento que outros começam.
É aqui que entra o Matheus.
Assim como o Gui, Matheus também chegou cedo à Fundação Julita. Em 2012, fez parte da primeira turma do Projeto Ipezinho – aquele mesmo que falamos no início deste texto.
Cheio de sonhos, encontrou no futebol um caminho de expressão e aprendizado. Foi no esporte que desenvolveu habilidades que carrega até hoje: o jogo coletivo, a disciplina e a empatia com o outro.
Depois de um período dedicado ao futebol, sua história voltou a se cruzar com os caminhos da Julita, e seguiu uma trilha muito parecida com a do Gui.
Matheus passou pelo projeto Jovens Monitores, em 2025 ingressou no Comunidade em Movimento – veja seu depoimento aqui – chegou à universidade e seguiu construindo seu projeto de vida.
Hoje, 14 anos depois de ter sido uma das crianças do Ipezinho, ele retorna ao mesmo projeto – mas agora em um novo papel.
O de educador.
Agora é ele quem ajuda a acompanhar o desenvolvimento de cerca de 50 crianças de 4 e 5 anos, oferecendo a elas o mesmo cuidado, atenção e oportunidades que um dia fizeram parte da sua própria trajetória.
Matheus Junior foi benefiário do Programa Ipezinho, em 2012, e hoje atua no grupo como educador do grupo.
Se a história do Gui nos mostra o fechamento de um ciclo, a do Matheus revela o início de outro.
Histórias diferentes, mas profundamente conectadas.
Aqui na Fundação Julita, acreditamos que cada pessoa, seja ela criança, jovem, adulto ou idoso, carrega um potencial enorme. Nosso papel é abrir caminhos, oferecer oportunidades e caminhar junto enquanto esses sonhos ganham forma.
Ver nossa gente voar é o que nos move.
E saber que muitos deles voltam para ajudar outros a voar mostra que as sementes plantadas aqui continuam crescendo – e dando frutos no próprio território.
