Garantir que jovens da periferia ocupem museus, centros culturais e espaços de arte também faz parte do processo educativo. Foi com esse propósito que a Fundação Julita promoveu uma visita ao Instituto Tomie Ohtake, onde os jovens beneficiários do Programa Juventude conheceram a exposição Viva Escola Viva.
A atividade integra as ações desenvolvidas pela Fundação para ampliar o acesso à arte, à cultura e aos equipamentos culturais da cidade de São Paulo. Por meio de parcerias com instituições culturais, a Fundação busca criar oportunidades para que os beneficiários conheçam novos espaços, ampliem seus repertórios e fortaleçam o sentimento de pertencimento à cidade.
A visita aconteceu em um momento especialmente significativo. A exposição dialogava com um tema que já vinha sendo trabalhado com os jovens nas atividades da Fundação: o lazer e a cultura como campos de atuação e de transformação social. Reunindo diferentes povos indígenas, a mostra apresenta pinturas realizadas diretamente nas paredes do espaço expositivo e convida o público a conhecer diferentes formas de ensinar, aprender e viver coletivamente, valorizando os saberes ancestrais e as múltiplas concepções de educação.
(jovens do Programa Juventude durante a exposição "Viva Escola Viva" no Instituto Tomie Ohtake)
Os jovens puderam experimentar um espaço que muitos acreditavam não ser destinado a eles. Essa experiência contribui para romper barreiras simbólicas e sociais que frequentemente afastam moradores das periferias dos equipamentos culturais da cidade.
Para a educadora Laiza, um dos momentos mais marcantes foi perceber como o grupo passou a ocupar o espaço com naturalidade.
“Observar os jovens em um espaço para além da Julita e notar como também se sentiram confortáveis dentro daquele ambiente é um resultado das atividades que envolvem o diálogo sobre o acesso deles e delas a espaços que, por diversas vezes, disseram jamais imaginar que poderiam entrar. Muitos acreditavam que precisariam pagar para visitar um lugar como aquele.”
Durante a visita, os participantes demonstraram curiosidade em conhecer as obras, pesquisar quem eram os artistas e compreender a origem dos povos representados na exposição. Após a mediação, também participaram de uma atividade prática no ateliê, explorando a criatividade e construindo relações com o que haviam vivenciado.
Segundo Laiza, um comentário feito por um dos jovens sintetizou o impacto da experiência.
“Ouvir, ao sair do instituto, a frase ‘agora sou eu que quero fazer alguma arte ou exposição aqui nesse lugar’ me fez entender que a arte desperta sonhos e possibilidades que, muitas vezes, acabam ficando adormecidos no dia a dia.”
(Laiza Santos, educadora de comunicação e expressão do Programa Juventude)
A educadora Sarah também destaca que a experiência contribuiu para ampliar o sentimento de pertencimento dos jovens em espaços culturais que costumam ser vistos como inacessíveis.
“A visita foi extremamente necessária por questões culturais e também pelo acesso a novos espaços. Muitos enxergam esses lugares como ambientes destinados apenas a elite. Estar ali, de forma leve, acolhedora e percebendo que também pertencem àquele espaço foi muito significativo.”
Ela ressalta ainda o acolhimento oferecido pelo Instituto Tomie Ohtake e a proposta educativa da visita.
“As atividades fizeram com que eles colocassem a criatividade e a memória em prática, mostrando que conhecer um espaço cultural pode ser uma experiência leve, envolvente e inspiradora.”
(Sarah Vargas, educadora do curso de Assistente Administrativo do Programa Juventude)
O acesso à cultura é um direito e um instrumento fundamental para a formação cidadã. Ao incentivar que crianças, adolescentes e jovens ocupem museus, centros culturais, teatros e outros espaços da cidade, fortalecemos vínculos com o território, ampliamos horizontes e contribuímos para que reconheçam esses lugares como espaços que também lhes pertencem.
Agradecemos ao Instituto Tomie Ohtake pela parceria, pelo acolhimento dedicado ao grupo e pelo compromisso em tornar a arte e a cultura cada vez mais acessíveis e transformadoras.
(jovens do Programa Juventude durante a exposição "Viva Escola Viva" no Instituto Tomie Ohtake)
(Laiza Santos, educadora de comunicação e expressão do Programa Juventude)
(Sarah Vargas, educadora do curso de Assistente Administrativo do Programa Juventude)