Ações pedagógicas para o enfrentamento às desigualdades de gênero fazem parte da rotina da Fundação Julita. Para além da prática educativa, desde 2024, trabalhadoras da Julita integram o Fórum em Defesa da Mulher, contribuindo para a construção desse espaço de articulação entre organizações e lideranças comunitárias que atuam na defesa dos direitos das mulheres.
Pelo segundo ano, essa presença ganhou ainda mais visibilidade com a participação do Maracatu da Julita na abertura da 3ª Marcha por Todas Nós, levando cultura, mobilização e expressão coletiva para as ruas da comunidade. A caminhada é uma iniciativa organizada pelo Fórum em Defesa da Mulher que reúne coletivos, organizações e moradoras do território na defesa da garantia de direitos e de uma vida digna para todas as mulheres.
Este ano, à frente do grupo, estava Kelly Silva, trabalhadora da Fundação Julita e batuqueira regente do Maracatu Baque Atitude, ela conduziu grupo Raízes da Quebrada, composto por crianças e jovens beneficiados pelos programas da Fundação Julita, no cortejo que abriu a mobilização.
Para Kelly, ocupar esse espaço também tem um significado profundo enquanto mulher e liderança dentro da cultura do maracatu:
“Como mulher e regente de maracatu, participar de ações como essa me atravessa profundamente. Sinto responsabilidade, orgulho e muita emoção de poder conduzir um batuque que fortalece outras mulheres. É um lugar de afirmação, porque historicamente esses espaços também foram negados para nós. Estar ali, à frente do ritmo, é lembrar que nossas vozes, nossos corpos e nossos tambores também conduzem caminhos. É luta, mas também é cuidado, alegria e ancestralidade pulsando juntas.”
Kelly Silva, trabalhadora da Julita e referência de maracatu no território.
Para Jamira Luiz, trabalhadora da Fundação Julita e integrante do fórum, a presença da organização nesse movimento também tem um significado importante para o território:
“A participação da Julita é de suma importância considerando sua relevância, tempo de atuação no território e o poder simbólico da organização que leva o nome de uma mulher e tem em seu corpo de profissionais maioria feminina. E que são, também, maioria do seu público de atendimento. É uma atuação que fortalece, corrobora e reafirma institucionalmente a urgência por igualdade, combate à violência de gênero, direitos trabalhistas, justiça social além da memória histórica.”

A mobilização também chama atenção para um cenário preocupante no país. Dados recentes apontam que a violência contra mulheres no Brasil segue em níveis alarmantes. Em 2024, mais de 1.450 mulheres foram vítimas de feminicídio, o que representa cerca de quatro mulheres assassinadas por dia no país. No mesmo período, foram registrados 71.892 casos de estupro, uma média de 196 ocorrências por dia. Esses números evidenciam a gravidade da violência de gênero e reforçam a necessidade de fortalecer redes de proteção e políticas públicas de prevenção.
Os dados também mostram que a violência afeta de forma desproporcional as mulheres negras e ocorre, em grande parte, dentro de casa, muitas vezes cometida por companheiros ou ex-companheiros, um retrato que expõe as falhas estruturais do sistema de proteção às mulheres.
Diante desse cenário, iniciativas como a Marcha por Todas Nós cumprem um papel fundamental ao dar visibilidade às pautas das mulheres, ampliar o debate público e fortalecer a articulação entre organizações e comunidades na defesa de direitos.
A Fundação Julita reafirma seu compromisso com a promoção da igualdade, o enfrentamento à violência de gênero e o fortalecimento de redes comunitárias que lutam por uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres.
Kelly Silva, trabalhadora da Julita e referência de maracatu no território.