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Jovens do Programa Paineira assistem o musical Boa Sorte

4 de maio de 2018

Espetáculo aborda e debate a vida de uma pessoa soropositiva

Os jovens do Programa Paineira (15 a 17 anos) assistiram ao espetáculo Boa Sorte: o Musical, no Teatro Aliança Francesa, no centro de São Paulo.

O musical, escrito pelo diretor, ator e youtuber Gabriel Estrela, conta, em forte tom autobiográfico, como foi receber a notícia, aos 18 anos, que era portador do vírus HIV. Com um repertório de canções da MPB, em cena o rapaz repensa seus relacionamentos com amigos, família, namorado e médicos depois do diagnóstico.

Com a missão de levar informação sobre a problemática do HIV, além de cultura e arte para os jovens beneficiados pelo programa, além disso muitos jovens foram pela primeira vez ao centro da cidade, após a apresentação, ainda aconteceu um bate papo entre o diretor e o público.

O conhecimento é a melhor forma de prevenção

O último relatório divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV /AIDS (UNAIDS), em 2016, apontou que 827 mil brasileiros estão contaminados pelo vírus HIV. Ainda de acordo com o relatório, os jovens de 15 a 24 são os mais suscetíveis.

Por isso, se faz tão necessário debater o tema, como pontua, Anabela Vaz, educadora do Programa Paineira.

O Espetáculo foi muito importante porque ele acompanha a narração de uma pessoa soropositiva, suas reflexões e dilemas. Já o debate que acompanha o espetáculo foi fundamental para os jovens entenderem como se dá hoje a vida de uma pessoa com HIV, diversos esclarecimentos foram feitos. Além é claro do alerta sobre a necessidade da autoproteção, a importância do sexo seguro, que previne uma gravidez indesejável e as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)”.

Já os jovens também compartilham o sentimento de que o espetáculo foi importante:

Eu achei muito interessante o musical porque a sexualidade ainda é um tabu na sociedade. Já o senso comum acha que o HIV é transmitido por qualquer gesto, sendo que não é verdade. E a peça ainda reforça que é importante a preocupação com a saúde. E o debate foi descontraído, leve e informativo”, Erick de Oliveira, 16 anos, educando do Programa Paineira.

Foi interessante conhecer a história de uma pessoa portadora do HIV e saber como ele agiu em relação a isso, como se abriu com a família e como a falta de conhecimento o atrapalhou. Foi importante ouvi-lo falar que as pessoas precisam buscar o conhecimento, já que é uma doença que não tem cura, mas existem tratamentos e todos merecem respeito”, Bianca Maria, 16 anos, educanda do Programa Paineira.

Atravessando a ponte

Muitos dos adolescentes que assistiram ao espetáculo nunca tinham ido ao teatro, nem mesmo ao centro da cidade.

Em pleno ano de 2018, com o avanço das redes sociais, a tecnologia na palma da mão, a desigualdade social é uma realidade que afasta e marginaliza os jovens da periferia, que simplesmente não ocupam os espaços de lazer e cultura, lugares esses que são majoritariamente afastados das periferias.

Por isso, o ato de formação e conhecimento proporcionado pela peça começou muito antes de chegar ao local.

A peça foi incrível, mas só a ida até o teatro já foi de grande importância e teve uma ação educativa transformadora. Sair da periferia e vivenciar lazer e cultura no outro lado da cidade também é importante, conhecer e ocupar outros lugares. O trajeto do extremo da zona sul até o centro, esse tipo de experiência é importante porque os jovens encontram pessoas diferentes e observam a cidade organizada de uma forma diferente. É importante lidar com essa transformação de lugares, sem sentir vergonha ou medo, se reconhecer nesses lugares ajuda no processo de adaptação”, analisa, Anabela, que além de educadora da Fundação Julita, é cientista social.