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Cine_Juventude discutiu estereótipos e padrões sociais

17 de julho de 2016

 

No dia 11 de Julho aconteceu o Cine Juventude com o tema “Nascemos originais e nos tornamos cópias?”. Quem dita os padrões sociais de comportamento?”. Nessa edição, foi exibido o média metragem Jennifer, do coletivo Cinebecos, com direção do Renato Cândido e, para a discussão, contamos com a participação da jornalista Jéssica Balbino, o sociólogo Paulo Nogueira, a mestre em Demografia, Raquel Alonso, e para mediar a conversa, Jânio de Oliveira, Gestor Pedagógico da Julita.

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Estavam presentes 50 pessoas, dentre eles, alunos, ex-alunos e comunidade. A conversa girou em torno da representatividade, de como encaramos os padrões que nos são impostos diariamente e de que maneira enfrentamos os preconceitos gerados por eles.

 

PADRÕES DE BELEZA E EMPODERAMENTO

Jéssica abordou sobre a sua militância pelo fim da discriminação com pessoas gordas e nos contou como lida com o preconceito: “Quando você é oprimido, é muito difícil e dolorido. Parece que você é inadequado, mas sempre tento conversar com quem fala algo do tipo ‘você é fofinha’. Digo: ‘Sou gorda, pode me chamar assim, não precisa chamar de fofinha’. E isso tem que ser diário. É um trabalho de formiguinha. Há muita gente preconceituosa, mas temos que nos posicionar, nos impor e tentar trazer as pessoas para o nosso lado, mostrar que também merecemos respeito. Mas, para isso, o primeiro passo é a aceitação de quem somos e o empoderamento.”

 

SER QUEM A GENTE É

Raquel lembra que aquele que é oprimido, também oprime. Isso porque ele acaba comprando um padrão e é socializado nesse meio: “A todo momento, temos que nos perguntar se não reproduzimos essas opressões. Os padrões sociais estabelecidos são muitas vezes naturalizados e isso faz com que não percebamos. Está presente em muitos discursos como, por exemplo, ‘é gordinha, mas é bonita de rosto'”. A mestre afirma que a melhor maneira de trazer as pessoas para o nosso lado é existir, mostrar quem a gente é de fato e não se apagar.

 

INFORMAÇÕES CONTRA O PRECONCEITO

O sociólogo Paulo completa: “É essencial que busquemos informações. Quanto mais você se informa e busca conhecimento, mais  você consegue quebrar argumentos preconceituosos. Esse encontro é um ponto de partida para desconstruir esses preconceitos e construir novas narrativas.”

 

AS PESSOAS NA LÓGICA DO CONSUMO

Por fim, foi discutido sobre o quanto o sistema capitalista contribui para a manutenção dos padrões sociais, transformando tudo e todxs em produtos e como esse sistema tem a capacidade de colocar as pessoas na mesma lógica de consumo. Jânio disse que devemos estar atentos a essas sutilezas, pois o mercado se aproveita disso. Ele reafirma que é preciso “buscar conhecimento, nos apropriar desses saberes, nos empoderar e levar esse debate adiante”.

Para quem perdeu o Cine, assista um trecho da discussão.