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Aluno de Karatê da Julita ganha campeonato

19 de dezembro de 2016

Douglas Araújo treina karatê desde os 14 anos na Fundação Julita e, agora com 21 anos, ele ganhou o Campeonato Brasileiro sub 21, na categoria kyu abaixo (uma primeira categoria de atletas). Douglas é faixa verde, seu pai também pratica o esporte e, segundo o professor de karatê da Fundação Julita, Bruno Gonçalves dos Santos, ele é uma grande promessa.

Assim como Douglas, há várias histórias de transformação de meninos que vivenciaram o karatê na Fundação Julita, sob o comando de Bruno Gonçalves, nestes 10 anos em que ele atua como voluntário na organização.

Sidney Varelo de Sousa e Luis Felipe Silva Santos são dois deles. Hoje, ambos são faixa preta e Sidney está entre os 10 melhores atletas de São Paulo do estilo Shotokan, na modalidade de Kata, cujo nível de disputa costuma ser sempre muito alto.

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Formando multiplicadores

“Sidney e Felipe são os meus alunos mais antigos, vieram comigo da época em que dava aulas na escola Antônio Manoel. Um iniciou no karatê com 10 anos e o outro, com 12 anos. Os dois pulavam o muro pra vir pra cá. Hoje eles têm 20 e 22 anos. Até na reunião de escola do Felipe eu já fui por um pedido dele. Eles costumavam passar em casa de manhã, daí eu dava dinheiro pra comprarem pães e tomávamos café juntos antes de irmos pra aula. Juntavam umas 5 ou 6 crianças e era muito divertido aquele tempo”, conta o professor Bruno, chamando atenção para o vínculo que foi se criando em torno da prática do karatê.

Atualmente, Sidney é o oitavo melhor karateca de kata de São Paulo. É professor de karatê no CEU Casablanca, dando aula para uma turma com mais de 30 alunos. No ano passado, seguindo os passos do professor Bruno, passou a atuar como voluntário. “Tanto Sidney quanto Felipe são meus multiplicadores”, conclui o professor.

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Guerreiros do Karatê e da vida!

A história do professor de karatê Bruno é recorrente nestes 65 anos de trajetória da Fundação Julita: de ex-alunos da organização que retornam o benefício adquirido em prol da comunidade. Bruno já foi aluno da pré-escola da Julita, depois foi estudar na escola pública vizinha à entidade, Antônio Manoel, e daí retornou à Fundação, já universitário, com o intuito de dar aula de karatê em 2006.

Bruno tornou-se faixa preta de karatê com 15 anos, treinando em academias pagas do bairro e, com 16 anos, começou a dar aulas em condomínios. “Procurei atuar como voluntário para adquirir experiência até que trouxe alguns alunos e iniciei as aulas na Fundação Julita. Participei do processo de abertura da organização no fim de semana para a comunidade. Fui contratado como estagiário de Educação Física, organizando campeonatos e propondo atividades lúdicas e esportivas. No fim do contrato já tinha certeza: queria continuar como voluntário na Julita, dando aula de karatê. Acompanhei cada menino crescer aqui”, conta ele.

Hoje, o karatê na Julita tem em torno de 55 alunos, dos 5 anos de idade até 56 anos. A maioria tem entre 12 e 16 anos. A turma cresce a cada mês; no início de 2016, eram 30 alunos. Após a primeira graduação (mudança de faixa) eles entram para a Federação Paulista de Karatê automaticamente, para desfrutar tudo que o karatê pode dar. Atualmente temos, em média, uns 26 federados; a maioria iniciante.

O curso é de, no mínimo, 5 anos. Entre as transformações vistas por Bruno, ele ressalta que os alunos acabam adquirindo uma postura mais ética e corajosa diante dos problemas e situações do cotidiano e buscam fazer um julgamento mais correto diante da diversidade. Aprendem a lidar melhor com os seus sentimentos, os seus medos e a agressividade natural do ser humano.

“Os alunos menores aprendem a respeitar os outros (quem não sabe fazer direito, é conduzido pelos que já sabem), a conhecer suas forças (física e emocional), a cuidar dos seus colegas (não machucar), cuidar dos seus materiais e da limpeza da sala antes dos treinos. Tudo isso contribui para uma formação mais humana – principalmente, educativa, solidária e positiva de cada aluno e aluna que frequenta as aulas de karatê na Fundação nestes mais de 10 anos”, enfatiza o professor Bruno.

O grupo de alunos do karatê da Fundação Julita tem um nome que, não por acaso, conta também sobre a trajetória desses meninos na vida: “Guerreiros do Karatê”

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